26 de nov. de 2010
20 de nov. de 2010
O que quer a Mulher? - Roberto Goldkorn
Três décadas atrás, li um livro onde o autor dizia que estávamos prestes a viver uma nova era, com a entrada das mulheres no mercado de trabalho.
O escritor afirmava que pelo fato delas não terem se contaminado pelas práticas ávidas de poder, de corrupção e de autoritarismo dos homens, poderiam dar uma contribuição concreta para um mundo melhor.
Poderíamos contar com fiscais mais honestas, chefes mais humanas, planejadoras com maior visão de futuro, coisas de mãe que espera pacientemente a gestação para depois se engajar na tarefa de criar de uma vida inteira.
Confesso que fiquei entusiasmado. Há muito já sonhava com essa possibilidade: Um mundo mais materno, mais ético e cooperativo e menos competitivo.
Mas o tempo mostrou que a teoria na prática é outra.
A nossa ingenuidade (minha e do autor) acabou em frustração quando trinta e tantos anos depois, a mídia me atira na cara o episódio da menina do Pará enjaulada numa cela de monstros menos que lixo humano. Quando ficamos sabendo que a prisão foi feita e controlada por uma delegada (jovem), referendada por uma juíza, num estado governado por uma mulher, as esperanças vão pro saco de vez!
Talvez alguém ainda tenha coragem de vir na defesa delas dizendo que não se muda de uma hora para outra vícios ancestrais do sistema corrompido, imbecilizado e torpe.
Não se trata disso e sim de medidas minimamente decentes, simples ao alcance da mão das “autoridades” femininas diretamente envolvidas.
Não vou nem falar de solidariedade feminina, porque tenho medo de parecer ridículo, mas sim de humanidade, daquelas que se espera de alguém em relação a um animal em perigo. De uma mãe que vê em todas as crianças seu filho ou filha.
Remoendo a minha perplexidade dei com um texto de Ernest Jones, discípulo e parceiro de Freud, onde ele diz que o grande mestre confessou-lhe a sua ignorância a respeito da psicologia feminina.
Jones diz textualmente: “Não há muita dúvida de que Freud achava a psicologia das mulheres mais enigmática do que a dos homens.” Segundo Jones, o pai da psicanálise lhe teria confessado: “A grande questão que nunca foi respondida, e que eu mesmo não tive condição de responder apesar dos trinta anos de estudos sobre a alma humana, é: O que quer a mulher?”
É claro que o Freud queria respostas que fossem estruturais, que fossem a chave dos comportamentos, mas parece que também acabou morrendo sem poder decifrar esse abissal mistério.
A cada dia tomamos conhecimentos do papel das mulheres na perpetuação das injustiças e sofrimentos das próprias mulheres, como o que acontece em alguns países asiáticos, africanos, e do oriente médio.
E como Freud nos perguntamos o porquê? Quando assisti o Diabo Veste Prada, decalcado de uma situação que de fato existiu, identifiquei no comportamento da atriz principal (o Diabo), características de muitos dos meus antigos (e atuais) clientes, executivos ou empresários.
Lembro-me de pensar diante do despotismo desses descompensados: “Quando as mulheres chegarem a essas posições tudo será diferente”.
Como eu estava equivocado!
Em meu consolo no poço de perplexidade e pasmo em que me debato, veio outra mulher, a americana Kelly Vallen em seu depoimento ao New York Times.
Num artigo sobre a sua terrível experiência na fraternidade em que ingressou para se sentir protegida na Universidade, ela desabafa: “Nós mulheres nadamos em águas infestadas de tubarões criados por nós mesmas. Muitas vezes não temos noção de onde nos situamos umas com as outras socialmente, como mães, como colegas- porque somos ao mesmo tempo, aliadas e inimigas.” Eu acho que é isso aí. Tristemente.
As várias faces da depressão
No século passado muitos acreditavam ser apenas uma “frescura”, ou na melhor das hipóteses de uma “fase” que logo iria passar. Mas a depressão avançou, e pode se dar ao luxo de receber mais atenção do stablishment médico. Isso aconteceu em outras áreas como o sono por exemplo, onde até uma especialidade médica a ele se dedica.
Hoje sabemos um pouco mais sobre a depressão, e uma coisa é certa, não é frescura, e não se trata de uma instabilidade psicológico-emocional que logo vai passar. Ainda assim para a maioria dos médicos o diagnóstico é difícil, o que torna o tratamento um jogo de azar. Para a Organização Mundial de saúde, em 1990 era quarta causa para tratamentos médicos.
A projeção é que para 2020 seja a primeira em países em desenvolvimento e a terceira em países desenvolvidos. Isso é uma catástrofe, em termos da sociedade como um todo e sem dúvida para cada um dessas pessoas representadas por números. A depressão só perde para a hipertensão como a condição crônica mais comum encontrada na prática clínica. Estima-se que das pessoas que cometem suicídio, de 40 a 60% estavam sofrendo de depressão grave.
Uma parte significativa dessas pessoas estava sob cuidados médicos, sendo tratados de sintomas que em última análise configuram a depressão (insônia, perda de peso, fadiga crônica, dores, perda de interessa na vida, falta de concentração, disfunção do desejo sexual, etc). Mas sem o diagnóstico de depressão esses pacientes não entraram no rol dos suicidas em potencial. Hoje os médicos bem informados sabem que a depressão aumenta o risco de enfarte, além disso, parece haver uma ligação forte entre a depressão e a ocorrência do Mal de Alzheimer no futuro.
As pesquisas apontam para um componente genético tanto para a depressão quanto para a tendência ao suicídio. Mas isso ainda é pouco para municiar-nos contra esse flagelo. Sou um entusiasta das pesquisas médicas que em breve vão poder nos fornecer melhores e mais potentes armas contra essa doença. Porém acredito em algo mais, acredito no fator espiritual. Já sei bem que alguns estarão rindo, ou apenas sorrindo das minhas crendices, e mentalidade anticientífica. Compreendo perfeitamente esse ponto de vista e tento aprender a conviver com ele, embora os meus antagonistas não saibam conviver com os meus pontos de vista, mas assim caminha a humanidade. Como vejo o mundo espiritual não só como parte integrante de nossa realidade, mas principalmente como sua semente, não posso arrancar fora a possibilidade de um sério desequilíbrio espiritual.
Mesmo que você venha a me dizer que já mapearam a geografia cerebral da depressão (uma cascata de glucocorticóides que danifica algumas estruturas do hipocampo), isso ainda não elimina a hipótese espiritual. Sabemos por exemplo que a manifestação mediúnica põe em funcionamento estruturas físicas do cérebro e interfere em sua química. Até aí nada de mais. Somos uma unidade tripartite, onde o corpo físico interage com a mente extra física e esses com o espírito mais extra físico ainda (isso na minha opinião). Não acho produtivo essa cizânia entre a “ciência” médica oficial e as outras ciências, mesmo porque cada vez mais médicos adotam a visão espiritual e não se sentem menos médicos por isso. Mas aqueles que sofrem da doença e aqueles que irão dela ser vítimas no futuro se beneficiarão de uma parceria entre esses mundos, que nós separamos.
Para terminar vou relatar um caso do qual fui protagonista. Uma cliente me procurou reclamando do fato de seu atual namorado ter mudado da noite para o dia de comportamento e temperamento. Ele passou a ficar mais agressivo, mais obsessivo, mais paranóico. Fez diversas ameaças a ela, começou a assediá-la, persegui-la, imaginar traições em cada esquina. A coisa cresceu tanto que resolvi interferir. Convenci o tal sujeito a fazer uma consulta. Imediatamente senti que ele estava em profundo desequilíbrio psicológico e talvez espiritual. Minhas dúvidas se confirmaram quando lhe perguntei de algum parente havia morrido recentemente. Ele confirmou.
Soube há poucos dias que um tio seu, matador profissional de ofício, havia sido morto numa emboscada no interior de Mato Grosso com mais de quarenta tiros (o fato se deu há cerca de quatro meses, mas como o tal tio costumava desaparecer por vários meses ninguém notou o sumiço). O sobrinho nutria uma admiração pelo matador, e relatou que realmente de uns três ou quatro meses para cá (antes de saber da morte do tio) estava muito mais ansioso, estava fumando o dobro de cigarros (o tio fumava quatro maços por dia), estava bebendo muito (o tio entornava uma garrafa de pinga de uma virada só),e pensamentos sinistros habitavam a sua mente constantemente, de forma completamente incomum.
Tentei começar um tratamento com ele, mas avisei a minha cliente que se afastasse de qualquer maneira. Ele ainda fez umas duas sessões, mas estava muito perturbado. Menos de um mês depois do nosso primeiro encontro ele telefonou para a minha cliente e deu um tiro na cabeça enquanto falava ao telefone com ela.
Poderia contar outros casos, dezenas deles observados ao longo desses trinta anos. Para os mais céticos de nada adiantaria pois ou encontrariam explicação baseadas em hipóteses médicas ou desqualificariam a credibilidade do meu testemunho.
Mas fica aqui essa contribuição para a discussão do tema. Tragam para a mesa de reunião o aspecto espiritual. Pacientes e familiares agradecerão.
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